A seleção brasileira vem
apresentando bons resultados nos últimos jogos: empate contra a Inglaterra, por
2X2; vitória contra a França, por 3X0; vitória contra o Japão na estreia da
Copa das Confederações, também por 3X0; vitória contra o México, por 2X0;
vitória contra a Itália, por 2x1; e vitória contra o Uruguai, por 2X1, vitória
esta que classificou o Brasil para a final contra a Espanha ou Itália, que
jogam hoje à tarde, no Maracanã.
Em termos de resultado, pode-se
achar que o Brasil está no caminho certo. Afinal, nos últimos 6 jogos o Brasil
marcou 14 gols e sofreu apenas 4, com saldo de 10 gols. O ataque do Brasil
marca, em média, 2,3 gols por jogo, enquanto a defesa sofre 0,7 gols por jogo. Porém,
há outras coisas que devem ser levadas em consideração antes de sairmos
comemorando.
Em primeiro lugar, o setor de
criação do Brasil. Teoricamente, o jogador que deveria armar o jogo deveria ser
Oscar, municiando Neymar, Fred e Hulk na frente. Entretanto, o que normalmente
vemos é que as jogadas do Brasil são construídas pelos zagueiros ou volantes,
contando com o apoio dos laterais. Oscar, normalmente, “some” no jogo, não
aparecendo para fazer a jogada de criação. Explica-se: Oscar é um jogador que
gosta de “cair” pelas pontas. Contudo, estes setores – direito e esquerdo – já
estão ocupados por Neymar e Hulk, que às vezes se revezam e, normalmente, ficam
fixos um em cada lado do campo. Oscar fica sem ter pra onde ir, e acaba não
produzindo. Se Felipão não jogasse com um centroavante fixo, como Fred, poderia
colocar Oscar mais à frente, trocando de posição com Hulk e Neymar, e um
jogador para armar no meio, como Jadson, por exemplo. Neymar tenta voltar para
armar, mas geralmente faz lançamentos para a área, para Fred brigar no alto com
os zagueiros. A bola quase não é trabalhada pelo chão, no toque de bola. Como a
Espanha costuma fazer.
Segundo ponto: a zaga, considerada
o ponto forte do Brasil, e um dos primeiros setores a ser definido, mostra que
ainda tem sérios problemas. Marcelo é um ótimo lateral ofensivo, mas é fraco na
marcação. Daniel Alves está acostumado a avançar, pelo Barcelona, tendo o seu
setor coberto por alguém do meio. Na seleção, David Luiz, Thiago Silva e um dos
volantes chegam quase a formar uma linha de três zagueiros, com um dos volantes
– geralmente Paulinho – jogando um pouco mais à frente. Oscar seria o homem de
ligação e Neymar, Hulk e Fred formariam o ataque. Porém, neste esquema, quando
os laterais avançam – e eles são, muitas vezes, as válvulas de escape do Brasil
para sair jogando –, ficamos com apenas quatro defensores (os dois zagueiros e
os dois volantes), ou cinco, quando Daniel Alves fica um pouco mais para as
avançadas de Marcelo. Oscar não é jogador de marcação, assim como Neymar. Hulk
volta para ajudar, mas Fred só acompanha os zagueiros quando há escanteio ou
falta contra o Brasil. Quando os volantes têm que sair para cobrir os laterais,
abre-se um buraco no meio, e os zagueiros ficam praticamente no mano a mano.
Como as vitórias estão
acontecendo, mascara-se um pouco essas falhas. E, quando alguém critica,
Felipão vem com o velho e manjado discurso de que “estão jogando contra”. Quem
lucraria com a saída de Felipão da Seleção para “jogar contra”? Só alguém da
própria CBF. Felipão lucrou quando Mano Menezes não conseguiu os resultados
esperados e acabou substituído. Felipão, talvez, tenha torcido contra. E agora
vem com “teorias da conspiração” quando alguém aponta suas falhas. Isto não é
“torcer contra”, é apenas constatar o óbvio. Apontando-se as falhas, elas podem
ser corrigidas a tempo para a disputa da Copa do Mundo. Se acharmos que tudo
está bem, fica do jeito que está e as falhas vão aparecer em um jogo decisivo
da Copa, quando não poderemos perder.
Afinal, quem o Brasil venceu, até
agora? Inglaterra, que só é considerada uma das “grandes” do futebol mundial
porque tem um título em casa, em 1966, mas que, antes e depois disso, nunca fez
nada significativo em termos mundiais; França, que veio cheia de reservas,
enquanto vários titulares foram poupados após o final de temporada europeia;
Japão, que agora está começando a apresentar um bom futebol, mas que ainda não
é nenhuma potência, e ainda nutre um grande respeito pelo futebol brasileiro,
como se pôde observar na estreia das equipes na Copa das Confederações; México,
que vem jogando mal e só deve se classificar para a Copa porque não há um
adversário de peso na Concacaf – ou alguém acha que Jamaica, Honduras e Costa
Rica são seleções de respeito? –; Itália, a única que poderia dar trabalho, mas
que jogou sem Pirlo, seu principal jogador, e perdeu o lateral Abate em uma
entrada feia de Neymar. E o Brasil só conseguiu abrir vantagem porque teve um
gol em impedimento validado (o de Dante) e um gol marcado em uma falta inexistente
em Neymar; e agora o Uruguai, que vem se arrastando nas eliminatórias e que,
hoje, não estaria classificado diretamente para a Copa, tendo que disputar a
repescagem. E o Uruguai ainda perdeu a chance de sair na frente, em um pênalti
“telegrafado” por Forlan e com Júlio César se adiantando na cobrança.
Falhas existem, e não
vai ser Felipão falando “grosso” e dizendo que estão “jogando contra” que vai
fazer com que o Brasil as corrija. Essa tática já funcionou uma vez, mas não
quer dizer que vá funcionar novamente.
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